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		<pubDate>Tue, 21 Dec 2010 04:16:18 +0000</pubDate>
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		<title>Por uma oposição amorosa</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Dec 2010 17:18:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>avalanchemissoes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje várias correntes teológicas têm servido como prestadora de serviço de uma ideologia secular atuando como mediadora entra a ideologia e as religiões cristãs. Essas teologias ficam como pensamento secundário, e só serve para afirmar o seu empregador, criando uma &#8230; <a href="http://avalanchemissoes.wordpress.com/2010/12/15/preco-alto-faz-cerebro-sentir-mais-prazer/">Continue reading <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=avalanchemissoes.wordpress.com&amp;blog=17930488&amp;post=36&amp;subd=avalanchemissoes&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje várias correntes teológicas têm servido como prestadora de serviço de uma ideologia secular atuando como mediadora entra a ideologia e as religiões cristãs.</p>
<p>Essas teologias ficam como pensamento secundário, e só serve para afirmar o seu empregador, criando uma máscara sacra para idéias com um rosto profano.<span id="more-36"></span></p>
<p>O que ocorre de imediato é a dissolução do pensamento teológico não tendo em si mesmo a capacidade de interpretar a realidade através de sua disciplina, e a incapacidade de propor uma práxi de acordo com seu objeto de estudo, dando um caráter genérico a sua reflexão teológica e suprindo essa lacuna com pensamentos seculares, mas se a teologia tem por propósito trazer uma reflexão como resposta para a práxis humana, criando uma alternativa ao que está proposto, se ela tem de recorrer a outros meios ideológicos para apresentar uma proposta que já é a realidade presente, ela então se torna inútil, insípida, e sem razão para existir, formando assim uma teologia parasita.</p>
<p>Um exemplo da incorporação do pensamento secular pela teologia, por exemplo é o teocapitalismo ou capitalismo teológico.</p>
<p>O capitalismo é suficiente na totalidade de sistema que perpassa por todas as áreas da vida humana, trazendo respostas, possui até mesmo sua própria forma de culto total ao deus mercado, envolvendo também a espiritualidade humana, ritos e mitos, exercidos de forma cada vez mais compulsiva nos milhares de lojas-templo, agora vemos os cristãos criarem os templos-lojas ou shopping de Deus.</p>
<p>A força do pensamento do capitalista é tão feroz e sutil que alguns teólogos e pastores contemporâneos não percebem o quanto comprometido estão com uma fé moldada pelos desejos de consumo banal, e outros, talvez uma parcela minoritária, assuma que vive e contribui para formação capitalizada-mente ou mente-capitalizada.</p>
<p>Uma prova clara é o entendimento evangélico popular sobre a evangelização contextualizada, contextualização e uma tentativa corrente sempre atual e muito difundida e pouco sistematizada trazendo uma práxis caótica e vergonhosa. A contextualização como identificação cultural, como aproximação da fé cristã com as culturas seja ela locais, regionais ou gerais é de certo modo preciso e inevitável, pois a fé cristã não tem uma opção por uma cultura em particular, mas possui valores incorporados em qualquer cultura humana.</p>
<p>O bizarro acontece quando o diálogo fica de lado partindo para um raleamento dos valores ético-teológicos para incorporação dos valores étnicos como prioritários, levando em consideração que a ética é proveniente da visão de mundo do individuo ou do coletivo, partindo daí os valores étnicos formando uma cultura, quem pensa amarelo cria uma cultura amarela, não há possibilidade de uma cultura vermelha em uma mente amarela, ela só vem a existir a partir de uma mente vermelha.</p>
<p>A religião cristã nasce não como uma cultura resistente a cultura greco-romana, ela não tem por objetivo achatar culturas, pelo contrario, sua função através dos valores do reino de Deus é agregar e valorizar o que há de belo e verdadeiro, sendo incompatível com culturas exploradoras que aprisionam a livre manifestação do povo, e se apresentam como culturas encomendadas para evidenciar economicamente e socialmente uma elite a custas de pobreza e sofrimento da maioria; culturas essas, ditatoriais, discriminatórias, preconceituosas, cínicas e desumanas.</p>
<p>Uma contribuição mais plausível dos cristãos no mundo tem sido se opor as fontes de opressão na sociedade.</p>
<p>Temos exemplos de fies seguidores de Cristo como devotos da justiça e promoção da vida e esta com abundância, e isto deve ser aplicado em todas as épocas da história e em todas as culturas, este esforço de contextualizar nossa oposição seria uma atuação verdadeiramente cristã, como também propor um substituição de culturas de morte por culturas de vida.</p>
<p>O que podemos observar com facilidade na sociedade cristã atual é uma negação ao seu papel opositor, incorporando culturas de morte e sacralizando-as como parte de um novo cristianismo, o cristianismo do consumo, cristianismo de alienação e cristianismo de manobra, seus templos passam a ser aparelho ideológico do sistema capitalista.</p>
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<p>Falando em contextualização, qual seria realmente o contexto brasileiro? Tem se feito uma serie de esforços para se adequar a cultura do Brasil, mas não se leva em consideração que o Brasil da televisão não é o Brasil real.</p>
<p>O Brasil real tem 9 milhões de famílias em situação de risco alimentar, somos uma maioria de pobres e miseráveis, uma política ambiental que favorece os exploradores estrangeiros, um racismo velado e intocável, e como é comum na América latina somos um país marcado por invasões, ditaduras e golpes.</p>
<p>O que seria então contextualizar em um país de terceiro mundo na América latina? Temos que nos esforçar para entender a raiz deste povo, entender seus sofrimentos e chorar a dor do brasileiro, os verdadeiros filhos do Brasil não chegaram ao poder continuam com um prato vazio a sua frente , e não existe esperança a curto prazo que este prato seja cheio de comida, pois não esta na prioridade do estado, que nega no discurso mas na prática segue a cartilha de Maquiavel, não é interesse do governo transformar esse quadro pois a busca pelo poder cria uma politicagem que só favorece os poderosos e dá esmolinhas para o pobre, e também não é interesse da igreja cristã contemporânea, pois esta impreguinada pelos desejos irreais do deus mercado, ela se tornou mais uma peça que move a engrenagem capitalista, e uma peça muito importante pois dá uma conotação mística e divina para o consumo através de símbolos ritualísticos, como o jejum, oração, ofertas e dízimos que muitas vezes são tratados como  uma espécie de moeda que dá acesso compra da velha indulgência.</p>
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<p>A cultura do vencedor talvez seja a mais cruel incorporada no discurso teocapitalista, pois ela traz uma cessão de fracasso total, imobilizando intelectualmente os indivíduos, pois todos são projetados a um tipo deturpado de liderança baseada no lucro social, e no poder, causando um bem estar pleno, mas só há espaço para poucos no topo desta pirâmide, e em uma sociedade onde só se é quem tem e pra ser tem que ter, só uma minoria tem acesso as coisas escolhidas para identificar quem realmente é.</p>
<p>Uma das necessidades humanas é ser reconhecido socialmente, o olhar do outro nos ajuda identificar quem somos, contudo o reconhecimento social atual se dá por coisas a serem possuídas e não em valores que já possuímos, sendo assim se não temos determinadas posses nunca seremos o tão visado vencedor, ou melhor, não chegamos a ser alguém de fato, entramos para lista de membros dos cidadãos zumbis.</p>
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<p>O zumbi social é aquele que não tem oportunidade de se expressar, de ser feliz, de ter dignidade, isto é direito de seres humanos e não da subespécie social.</p>
<p>Quem sabe um dia, com muita fé eles consigam comprar mais e serem elevados a classe dos seres humanos consumidores. O papel da teologia capitalista como afirmação deste modelo do vencedor é inegável, o céu é só para alguns, a ceia é para poucos, não há democracia em suas reuniões, só alguns podem falar, a maioria é apenas espectadora da vitória espiritual de uma minoria, a criação de patentes espirituais é cada vez maior e serve também para distanciar os vencedores cada vez mais da condição mundana do zumbi social.</p>
<p>Tudo isso é fruto de uma mente cristã-capitalista, a produção de “Elites do Senhor” é a prova incontestável disto.</p>
<p>Uma ideologia de morte e um princípio de vida não podem habitar em uma mesma mente, duas idéias distintas e opositoras  não habitam o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo sem no mínimo causar a deformidade de uma das idéias e causar uma confusão, ou seja, alguém saiu perdendo nesta historia toda, e é lógico pensar que é o evangelho de Jesus, talvez por isso temos uma massa cristã crescendo cada vez mais, e as desigualdades sociais crescendo junto, lado a lado. Como diria os adeptos do neocalvinismo holandês, isto não passa de uma faceta do humanismo secular com verniz gospel, eu concordo plenamente, isto pode ser tudo menos a religião do carpinteiro.</p>
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<p>A contracultura cristã é baseada no amor prático, menos romântico, um amor gerador de justiça, um amor que nos leve a plena condição de marginais e a única forma de ser opositor das estruturas sinalizadores da desgraça e do inferno, não só o reino que já é e ainda não, mas o inferno também já é e ainda não, talvez pelo nível maior de colaboradores ele já é bem mais do que o reino de Deus, o amor cristão e a negação desta premissa do inferno.</p>
<p>A morte eterna já é presente, ela tomou uma proporção tão grande que já começou a ser aplicada em vida, temos uma vida pra viver a morte, e não uma vida plena que até a morte se torna apenas condição de continuar vivendo.</p>
<p>Uma práxi coerente seria uma vida baseada na vivência de seu mestre, alguém que valoriza a simplicidade e as pessoas como e realmente são, por ter “defeitos”, ou lacunas a serem resolvidas não são excluídas de nenhum processo, alguém que se sacrifica por todos e não por alguns, que seu exemplo de amor prático era um samaritanos e não um “crente”, o comercio quanto vira o centro da vida e chega as portas do templo causa ira, requer uma intervenção drástica e dura.</p>
<p>Um amor capaz de ser rebelde, pois não tem compromisso com o modelo estético do bom mocinho que mais parece um débil alienado tentando manter a boa ordem que os militares bem nos ensinaram em nosso passado recente.</p>
<p>Um carpinteiro, ex-presidiário, considerado ameaça a fé ortodoxa e ao governo, chamado de agitador, cercado de pessoas da classe pobre e infame. Este não parece ter muito a ver com seus representantes atuais que costumam ser glamurosos. lindos, cheios de pompa, seus salões de reuniões parecem mais a sede do império romano, ou uma loja do shopping, essa contradição simbólica mostra a contradição no entendimento deste Cristo, o Deus pobre de servos ricos.</p>
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<p>Na verdade o que leva os indivíduos cristãos a se eximirem de seu dever de oposição é o comodismo social, o oprimido nem sempre quer ser conscientizado das estruturas opressoras que o assola, pois não que encarar seu papel de luta e os opressores não querem abrir mão das regalias que possuem e perder o poder, não querem se igualar ao outro pois a solidariedade é sacrificial, mas os dois são engrenagens de um mesmo sistema.</p>
<p>Contudo vale ressaltar que o oprimido está em desfavorecimento total, uma desvantagem significante, não lhe é dado tempo para pensar sobre muito coisa, existe um esquema sinistro de dominação sobre tudo em relação a sua vida, e sua única perspectiva é a da sobrevivência, mesmo que seja em uma vida sem abundância.</p>
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<p>O papel de uma teologia de resistência deve mobilizar as duas faces da desigualdade, elevando o ser a um nível de igualdade e respeito mútuo, através de uma luta contra a desumanização causada pelo capital, luta esta que só se finda com a garantia de dignidade para todos, a criação de igrejas e espaços que inspirem a sociedade no seu dever democrático, que só pode ser feito através de um rompimento profundo com a teologia-capitalista. E devemos pagar com amor o preço desse rompimento, travar uma santa luta contra as estruturas que reapresentam este sistema de cultura de morte.</p>
<p>A teologia de Jesus visa à promoção da vida da igualdade e da justiça, que este então seja nosso esforço missionário como cristãos e cidadãos desta terra.</p>
<p>Marginalize-se um chamado divino.</p>
<p>Eric Rodrigues-Peruca</p>
<p>14 de setembro de 2010</p>
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